Mostrar mensagens com a etiqueta 2 Ética na eresearch. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2 Ética na eresearch. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de agosto de 2011

Sobre a privacidade ou sua ausência na Web



Em conversa no dia da sessão presencial, o Hugo dizia que de facto não há privacidade na Web. Mesmo em ambientes supostamente fechados, outros podem tornar a informação pública (o amigo do amigo Facebook que divulga para outros amigos não comuns, mas também a retransmissão de emails etc). Isso deve significar, de facto, que ninguém (no caso o investigador) pode assegurar absolutamente a privacidade de informação disponível na Web? 

Quanto a nós a resposta é negativa. Por um lado há dados que são assumidos como privados (dados pessoais, bancários, aspectos comerciais etc) pela legislação. Por outro, a responsabilidade de tornar públicos dados assumidos como privados cabe a cada um.  É importante que todos saibam da possibilidade de o "privado" se tornar publico. Mas é diferente assumir essa possibilidade como realidade e tomar toda a informação na Web como pública porque ela PODE tornar-se pública.

A dificuldade de aplicação na Web da Regra de Ouro

O artigo

Allen, C. (1996). Whats wrong with the golden rule? Conundrums of conducting ethical research in cyberspace. The Information Society. Retrieved from http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/713856146a

apresenta uma suposta dificuldade de aplicar a "regra de ouro" ética na Web. Que consequências pode trazer para os procedimentos de investigação?

Mesmo que não se tratasse de eresearch, o texto refere a impossibilidade de aplicar linhas orientadoras e princípios éticos, tout court, com base no argumento da relatividade cultural. Mas para além disso, aponta uma dificuldade acrescida: na Web é mais difícil aplicar a "regra de ouro" (faz aos outros como se fosse a ti próprio) pois ainda é mais difícil presumir que as percepções e valores dos outros são semelhantes às nossas. Neste caso, seriam eventuais diferenças entre as perspectivas dos investigadores e dos participantes que estariam em causa.

Para além da eventual argumentação (assentes em Bakhtin) sobre a não possibilidade de aplicação de regras éticas universais, isso deve traduzir-se num princípio ético prático importante: projectar o menos possível de modo automático o ponto de vista dos participantes a partir do nosso e procurar sempre confirmação sobre quais as percepções e valores dos sujeitos (embora possa trazer complicações com alguns designs de investigação em que o fornecimento de informação aos participantes pode enviesar os resultados). Um princípio de cautela empírica contra a prevalência do teórico, portanto.

Mapa mental do artigo sobre ética na eresearch

Mapa mental do artigo
Kanuka, H. (2007). Ethical issues in qualitative e-learning research. International Journal of Qualitative Methods, 6(June). Retrieved from http://ejournals.library.ualberta.ca/index.php/IJQM/article/viewArticle/537

Para ler as notas seleccionar vista de outline


2 Ética na eresearch

Tendo em vista objectivos práticos, coligimos uma lista dos principais tópicos qe devem constar de um pedido de autorização de recolha de dados:


  1. Indicação dos objectivos da investigação
  2. Apresentação da identidade do investigador
  3. Indicação da duração esperada da investigação
  4. Natureza da participação que se espera
  5. Descrição dos procedimentos de investigação
  6. Indicação dos procedimentos serão tomados para garantir a privacidade, anonimato e confidencialidade, se tal for o caso
  7. Contacto para mais informação
Fontes
Anderson, T., & Kanuka, H. (2003). E-research: Methods, strategies, and issues. Nova Iorque: Allyn and Bacon
Kanuka, H. (2007). Ethical issues in qualitative e-learning research. International Journal of Qualitative Methods, 6(June). Retrieved from http://ejournals.library.ualberta.ca/index.php/IJQM/article/viewArticle/537